Filho de peixe…


 7 de novembro de 2016
nemo
Procurando Nemo”, lançado no Brasil em 2003, é um filme muito interessante que dá para pensar sobre criação de filhos.

Sem dificuldades, podemos nos ver espelhado no pai de Nemo, um peixe palhaço chamado Marlin, muitos e muitos pais (e mães) que vivem suas vidas por aí, numa perspectiva de que tudo é errado, perigoso e faz mal.
Desde que a mamãe peixe foi devorada por um tubarão juntamente com sua ninhada de ovas, restando somente o Nemo, papai peixe prometeu que jamais deixaria que nada acontecesse com o filhote.
Na vida real, muitos pais agem exatamente da mesma forma. E nem é preciso que aconteça alguma desgraça em suas próprias vidas; basta ouvirem e verem os noticiários para que “prendam” seus filhos em casa, na tentativa de que nada lhes aconteça. Nem sequer lembram que uma das responsabilidades dos pais é criar e preparar os filhos para a vida. Então, criados em uma redoma, crescem despreparados para enfrentar as dificuldades e perigos inerentes à vida.
Uma das frases mais interessantes do filme foi a que a peixinha Dori disse para o amigo Marlin: “Que coisa mais estranha de prometer ao filho. Se promete que nada vai lhe acontecer, nada acontece mesmo. Sim, não acontecem acidentes, não acontecem experiências importantes, não acontecem descobertas fantásticas, não acontece o instinto de autodefesa, não acontece … nada!
Pais inseguros e medrosos levam seus filhos a serem inseguros e medrosos também! E é dever dos pais, ou pelo menos deveria ser, ajudar seus filhos a superarem o medo e a insegurança.
Num outro momento do filme, quando Nemo ouve notícias de que seu pai está atravessando o tenebroso e perigoso mar e viajando centenas de quilômetros para encontrá-lo, ele profere: “Este não é o meu pai. Meu pai jamais faria isso.” E era verdade; seu pai jamais faria isso! Até mesmo permitir o filho freqüentar a escola era um grande problema. E o pior é que havia uma boa “desculpa”. O peixinho tinha uma das nadadeiras atrofiada e o pai vivia dizendo que ele não podia nadar bem por causa da deficiência.
Justificativas. Desculpas. As crianças são plenamente capazes de superar tudo. Basta que tenham incentivo, que confiem nelas, que as ajudem a olhar para si mesmas com uma perspectiva boa e bonita. Basta que se amem e sejam amadas.
Superproteger um filho não é demonstração de amor. É demonstração de egoísmo. É podar. É boicotar o crescimento e o amadurecimento dele.
Nossos filhos precisam aprender a viver e ver a beleza da vida.
Só que não há aprendizado eficiente sem experiência. Teoria sem prática é apenas teoria.
Sair à procura de Nemo ensina Marlin a ter experiências fantásticas.
Pais, saiam à procura de experiências, mas levem junto seus filhos. Eles podem querer aprender sozinhos e isto pode ser muito mais perigoso.
****
Por: Psic. Elizabete Bifano

http://www.clickfamilia.org.br/oikos2015/index.php/filho-de-peixe/